segunda-feira, 5 de julho de 2010

Desabafaria

Palavras sairiam da minha boca

Se conseguisse admitir o que penso

Soariam como as melodias que guardo

É como falar e não poder ouvir o som

É como cantar e não poder controlar a respiração


Desabafaria

Lágrimas rolariam na face

Se o coração não batesse tão forte

Se não me prendesse em pensamentos complexos

Deixaria de estancar os fluxos

Os vasos, as veias, a corrente sanguínea


Desabafaria

Não perderia mais o sono, nem a saliva

Sairia de alma lavada

Livre para viver a vida

Se tivesse coragem, querida amiga.


Potira Souto

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