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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Eu sou como um quadro na parede

Que alguém um dia pare...
E desinteressadamente
Olhe por alguns minutos
Dentro dos meus olhos
E não compare com pinturas
O meu retrato
Mas perceba a minha existência

Talvez, uma simples essência
Tão humana quanto sua
Que aprendeu de tudo
Errando e acertando
Passando por bons e maus bocados
E por mais atrapalhados
O sorriso continuava estampado

Talvez, um dia alguém lhe conte
Quem eu fui, como eu era...

Que nem sempre eu falava a verdade
Mas pra brincar de ficção
Dar cor e graça à vida
Balançar os corações

Que gostava de dar conselhos
De despertar emoções

Que não tinha amigos por vaidade
Morava de cidade em cidade
E sentia no peito
As saudades e as ausências nas canções
E observava de longe...

E, agora eu sou...
Alguém que sorri empaticamente
E se mantém estática, mas
Fixada na sua mente
Como uma breve recordação
Que sonhos eu teria?
Que a vida fosse um filme

Para eu poder dar replay.

Potira Souto
23.12.2011

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Diante de ti me sinto em casa,
como se fosse um anjo
de olhar sincero e sorriso doce
que a minha alma guarda

mas, às vezes vôo longe
não tenho medo de partir
passeio entre vãos e abismos
sem saber pra onde ir

me alegro de contar contigo,
sei que com o coração não se pode brincar
mas deixo livre tudo que gosto
e volto num bater de asas, se precisar


entendo quando fala de saudade
parece um sonho tão bonito
mas anjos só existem em contos de fadas
ou são estrelas no infinito.

Potira Souto

domingo, 17 de outubro de 2010

Cansei de ver com os olhos de quem ama
Chega de drama, de paixão inventada
De sonhar acordada e cair da cama
Chega de sorrisos com malícia
De estratégias e pose de dama

Cansei de promessas
Chega de corações de pedra
De mentes vazias, de gastar saliva
Chega de palavras em vão
De brincar de esconde-esconde
Com o próprio coração.

Cansei de lirismos e das ironias da vida
Chega de cartas marcadas
De drique sem gelo, do maço de cigarros
Chega de xadrez, do seu ar descolado
De pra mim já chega, o jogo acabou
Meu caro.

Potira Souto

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Traços de loucura

Nas veias sangue cor laranja corria
O som se fazia pleno na minha mente
Confiante, eu sorria
Pessoas não eram pessoas
Eram como fichas, sujeitos, elementos
E eu, autista na pista
Sem dose que me derrubasse
Me fazia forte a cada respiração
Era um dia incomum
Acordei em um mundo paralelo
Numa montanha russa de emoções
Jogos de palavras e piadas sem fim
Chorei por extrema alegria
Achava graça até de mim
Tive surto de tanto riso
E como um filme lento, profundo e amargo
Derrubei lágrimas de mágoa
Como a tristeza que me acompanha em dias frios
Meu olhar alheio ainda estava sob efeito
Pensamentos ligeiros
Fragmentos perdidos
Suicídio
Recolhi minha presença do recinto
Foi-se agora a agonia
E a loucura que eu sentia
Apaguei o desenho
E o roteiro que eu escrevia.

Potira Souto

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Desabafaria

Palavras sairiam da minha boca

Se conseguisse admitir o que penso

Soariam como as melodias que guardo

É como falar e não poder ouvir o som

É como cantar e não poder controlar a respiração


Desabafaria

Lágrimas rolariam na face

Se o coração não batesse tão forte

Se não me prendesse em pensamentos complexos

Deixaria de estancar os fluxos

Os vasos, as veias, a corrente sanguínea


Desabafaria

Não perderia mais o sono, nem a saliva

Sairia de alma lavada

Livre para viver a vida

Se tivesse coragem, querida amiga.


Potira Souto

Rabisco...

A noite passa
E eu continuo aqui escrevendo
Não sei o que penso,
Nem o que quero dizer
Só sei que não tenho mais
O que falar sobre você

Não posso nem rimar
Porque assim que me perco
Sem mais versos, trocadilhos
Ou pensamentos avessos

O que eu posso fazer meu querido?
Já que não posso te ter
O que para mim resta é
Rascunhar alguns poemas
E lembrar de você


Ou te desenhar num papel em branco
Sem saber se devo
Me debruçar sobre teu retrato
Logo tu, que partiu coração aos cacos

Já não sei mais não sei o que faço
O meu rosto não suporta mais o pranto
Só sei que em ti ainda penso
E que um dia te encontrar
Sim, eu irei
Num livro que joguei por aí
Em qualquer canto

Mesmo assim, continuarei
Umedecendo as folhas
E em rabiscos eu direi

Que a paixão não é sorte
Nem jogo de azar
Que a paixão não tem acaso
Nem se encontra em qualquer esquina
Ou na mesa de um bar

Potira Souto

Por que?

Por que me fez tantas perguntas?
Por que me deixou fazer apostas?
Por que me fez promessas?
Por que me deu o silêncio como resposta?

Nem os vinhos que eu bebi
Nem as musicas que dancei
Nem os garotos que beijei
Nem as paixões que inventei

Foram suficientes para eu esquecer
Dos dias e noites que passei com você
Das palavras, das risadas,
Dos sussurros e das gozadas

Por que me disse tudo aquilo?
Por que me seduziu por vaidade?
Para depois eu pensar...
Será que existe amor de verdade?

Potira Souto

Fim

Não há mais o que dizer
Não há mais o que pensar
Tudo está fora do lugar
Ou sempre esteve
E eu não queria enxergar
Teto de vidro, mente embaçada
Não há o que me faça esquecer
De quem me deixava feliz
De alma lavada
Sem sorrisos, sem despedidas
Acaba tudo e nada
Tudo que eu esperava ter
Nada do que eu queria ver
Alguém que se vai sem sentir
Que já não sente mais falta de mim
Mas que tentava ser
Alguém que eu amava
Sem pensar no fim

Potira Souto

Os outros


Já me ligaram no dia seguinte
Já me chamaram de linda
Elogiaram meu perfume
Falam meu nome sem errar

Já me encontraram ao acaso
Já me beijaram com desejo
Contaram histórias
Fizeram companhia

Já me trouxeram vinho
Já me levaram no cinema
Cantaram no meu ouvido
Gozaram com o meu gemido

Mesmo assim, ninguém foi capaz
De preencher o meu vazio
De me falar sobre solidão
De segurar a minha mão
E de dizer vou te levar comigo

Potira Souto

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Não sei se preciso

Me contento com as minhas pantufas
Para aquecer os pés, sempre frios

Meus poemas sem aquém
Para expressar o que nunca direi com todas as letras

Minha janela aberta
Para fazer planos

Minha seleção de músicas
Para trabalhar e depois relaxar

Meus livros da Martha
Para refletir no fim do dia

Meus filmes de suspense no feriado
Para ter algo com que me preocupar

Ficar que nem panqueca enrolada debaixo dos edredons
Para me sentir protegida

Sem mais particularidades,
O resto é festa.

Só preciso de um aquecedor
Para me sentir completa

Potira Souto

domingo, 23 de maio de 2010

Sem palavras

Existem momentos inenarráveis
Pessoas inexplicáveis
Sentimentos e seus modos
Amores sem rótulo

Pessoas com quem se perde a compostura
Sonhos sem razão que por si só bastam
Goles de emoção que te dão um nó
E ninguém segura

A vida não é uma busca
É o encontro de alguéns
Paixão sem medida
Quem não se escolhe a quem


E por mais curta que seja
Não existe explicação
Não se encontra palavras
Para as coisas do coração

Potira Souto

domingo, 25 de abril de 2010

Desatento

Preciso de mais emoção
Tropeçar e cair
No colo de alguém
Sair por ai
Trocar olhares na esquina
Viver muitas paixões
Perder a respiração
Trocar elogios
Realizar fantasias
Distribuir sorrisos
Beijar com vontade
Erguer as mãos pro ceú
E sentir a liberdade
Rir dos sonhos loucos
Mesmo com gosto
De utopia
Colher flores no campo
Sem ter alguém
Para quem eu daria
Andar na chuva
Até chegar o momento
De eu querer o relógio parar
Com a força do vento
Porque encontrei um amor
Desatento
 
Potira Souto

Se você fosse um poema

Se eu escreveresse um poema


Teria o teu nome

E você em cada frase eu veria

A perfeita sintonia

A doçura dos teus olhos

Tuas frases encantadoras

Teu suspiro em cada vírgula

Tua voz suave como melodia

Teu romantismo e melancolia

Se você fosse um poema,

Seria uma música

E com você nele eu dançaria

Se você fosse um poema,

Seria como meus amores

As entrelinhas andariam de mãos dadas

E a cada estrofe novas cores
 
Potira Souto

domingo, 18 de abril de 2010

Lamento

Vejo que o tempo passou
Suave como o vento
E com ele levou as folhas secas de outono
As flores do campo e,
A chance que vc não me deu
Lamento por não ter feito mais
Agora sinto que não há mais tempo
Nem de voltar atrás,
Nem de entender quem perdeu
Não sei se estou enganada
Ou se é o o inverno
Que vem chegando
Frio como eu


Potira Souto

quarta-feira, 31 de março de 2010

Perto do Fogo

Perto do Fogo



Chama que aquece
O amor que relembro e vivo
Queimo em minhas memórias
Esqueço o tempo perdido
Faço presente, vejo na brasa
A mágoa que ascende a minha dor
Faz renascer das cinzas
Meu inesquecível e ardente amor
Sem medo, sem água
O fogo que nunca se apaga
Mesmo que sopre o vento
Mesmo que a noite fique calada
Conformo-me!
Pior do que ter sofrido
Seria ele nunca ter existido.

terça-feira, 30 de março de 2010

Sou

Como um pássaro no céu
Como as flores na terra
Como a água da chuva
Como o ar que me liberta
Como o mundo que me cerca
Eu nunca estou só
Eu nunca deixo de andar
Busco a paz em meio a guerra
Busco o sorriso diante das lágrimas
Vejo humanismo nas pessoas erradas
Vejo hipocrisia nas músicas cantadas
Se um dia tudo acabar
Se um dia a fome deixar de matar
Quando o olho por olho
Quando o dente por dente
Tiver fim
A existência estará
No encontrei dentro de mim

potira.

Saudades tuas...

O teu cheiro no ar

A tua mão nos meus cabelos
Teu carinho no meu rosto
Tua pele macia
E teus beijos quentes
Me fazem lembrar
Dos passos que demos juntos
Dos lugares que passamos
Das músicas e sorrisos meus
Você me encantou
Só não me ensinou a suportar a dor
De não te ter sempre comigo
Por isso sigo e te levo
Aonde quer que eu vá
Não importa o que eu faça
Sem você não tem graça

potira.

se eu pudesse...

eu acordaria você no meio da noite
eu cobriria teu corpo nos dias frios
eu velaria teu sono
enquanto sussuro palavras doces no teu ouvido

eu seguraria tua mão e não mais largaria
eu encontraria você nos meus sonhos
eu te contaria meus poemas de amor
enquanto você tentaria me encontrar nos meus olhos

eu te abraçaria sem pensar no tempo
eu te beijaria loucamente todos os dias
eu sentaria ao teu lado e te diria todas estas palavras
enquanto a sintonia estivesse entre nós

potira.

Poeta

É dura a vida de poeta
Mas sem ele não tenho vida
Nem alma, nem cor
É pura mágoa, sentimento ferido e dor


É uma tempestade de palavras e flores molhadas
No meu jardim de horror
É como escrever com uma rosa
E se arranhar com os espinhos
Sem sentir rancor


Só a lua escuta
Os meus versos sem autor
E não por completo
Porque logo o dia chega
E abandono este universo
Do amor
 
potira.

Inspiração

Antes do sol se por
Vou caminhar por ai
Na rua da sua casa
Lugares onde você passa
Vou fazer um favor pro acaso
E cruzar o teu caminho
Vou dar asas pro meu sonho
E te encontrar no meu destino
Antes do sol nascer
Um beijo eu vou te dar
Se você nessa noite eu não te ver
Sem rumo vou andar
Se um dia eu não puder te ter
Vou lembrar desse sonho
Que eu nunca quiz acordar
Só ficar contigo sem poder acreditar
Na verdade não dormi
Querendo poder te tocar
Mesmo na lucidez
Sem ter que sair do lugar

potira.